E então, aquele pedaço de plástico azul, que tem tão pouco significado na sua vida, hoje resolveu que quer ter todo o significado de 5 anos para você:
Quando você usava para guardar sabonete, servia para apenas isso. Quando você colocou na janela do banheiro para guardar nada, não guardava nada e não fez mais que isso. Quando você usou para suporte para a água de fazer barba, sua única preocupação era lavar depois do uso para que não sujasse mais para frente.
Ai você resolveu que ia usar de cinzeiro. E usou. E a brasa derreteu o fundo e agora ele está marcado para sempre. E depois de tanto "E", "agora", "depois" e "você", você (outra vez, desculpe) resolveu que aquilo significava algo.
Um simples presente de sua mãe para que, como em tantos outros objetos, sua vida fosse um pouco mais confortável e, indiretamente, você tivesse a certeza de que ela é a pessoa que, bem ou mal, pensa em você mais vezes no dia. E toda vez que você, chorou, riu, chapou, irritou, brigou, profanou, abençoou, alimentou, sentiu fome, sentiu calor, frio, angustia, certeza, dúvida ou simplesmente parou para pensar em nada; em tudo isso, aquele pedaço de plástico estava lá.
Testemunha? um pedaço de plástico só porque é azul não dá ele faculdades que ele não tinha (o fato de gostar muito de azul não deveria acrescentar em nada também).
Mas tá ali. E te faz pensar.
Agora, aquele pedaço de polímero está para sempre marcado como nunca antes foi.
E ai? Quer dizer que você cresceu? Que você mudou? Que agora é o momento de desprendimento do passado não tão distante?
Talvez.
Mas uma certeza há, e é ela que te faz continuar são e salvo em si mesmo:
Se minha mãe vir isso, tenho que ter uma boa desculpa. Melhor começar a pensar.
E a pensar estou agora.
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