segunda-feira, 23 de julho de 2012

Aproveita a liberdade. Vai acabar

Parte do que eu digo aqui talvez um ou outro sabe, mas só eu e uma pessoa sabemos exatamente tudo.
Muito do que se chama liberdade é feito apenas de sensação de liberdade. É achar que pode ir e vir. É achar que pode ser o que quiser. É achar que pode pensar o que vier. Mas mesmo os menos versados nas letras sabem que liberdade liberdade não se tem de verdade. Pode-se estar atrelado a Deus, à Lei, ao outro, à si mesmo, ao mundo. O poder de limitação da mente humana por ela mesma é infinito. Por isso mesmo deixamos ele, o poder, também finito.
Mas por que escrever sobre liberdade?
No espaço de tempo entre voltar do cinema e entrar em casa, centenas, mas muitas centenas de pensamentos passaram por minha cabeça e de todos só um era recorrente: enquanto eu estiver rodando, eu estou livre para ser quem eu quiser. E o que é isso senão uma sensação de liberdade? Enquanto se está numa moto são inúmeras as formas de se prender e privar de qualquer tipo de soltura que o mundo pedestre te proporciona: você deve cobrir a cabeça para seu próprio bem (como os véus que cobrem as moças?!?!); deve vestir-se para proteger da moléstia invisível do vento (alguma semelhança com "assim você não sai de casa"???); deve ter medo o tempo todo, pois por mais rápido que ela te torne,  você ainda é vulnerável a qualquer um na mesma condição de "motorizado" (quantos exemplos cabem aqui, não é verdade?); deve manter as mãos sempre onde se possa ter controle (mãos onde se possa ver e prever os movimentos); e mesmo parecendo esgotados aqui, a miríade de fatores ainda podem ser enumerados aos pares. Só é necessário um pouco de imaginação (mas não muita, pois não se pode fugir demais da realidade).
Pouco antes de chegar em casa, uma pequena fagulha disse "segue" e eu segui. Eu fui onde eu podia ir. Eu fui onde eu precisava ir. Eu pilotei até onde eu quis, e eu precisava ir ali urgente. O bairro onde boa parte da minha vida começou a mudar. É um amontoado de pedras com tinta por cima, sim. Mas é um bairro. Um lugar com um pouco de identidade, monotonia, histórias e espíritos errantes, que podem ser batizados aqui de Lembranças (mas vamos continuar com a versão em minúscula porque, né, pé no saco isso de expressar com grafos).
Por quase todas as ruas que eu passei, eu já passei em algum momento sem a menor condição de passar. Mas passei. Nem todas, na realidade, mas as lembranças estavam ali ainda. Na avenida na qual primeiro morei, a mesma que tive uma prova de força com a natureza (e venci pois a chuva derrubou a árvore à minha frente mas eu permaneci em pé). A rua onde viviam os primeiros amigos. A república onde rolaram as primeiras grandes festas. O canto onde assustei o casal só falando "boa noite" da minha forma. Quantas vezes eu devo ter sido chamado de louco ou de chato ou de "ele tá foda, meu". O bar que bebi, o bar que não bebi, o restaurante do qual fui expulso, o gramado onde parei sozinho e sozinho fiquei. O portão da casa que eu me recusava entrar pois sabia que significava o fim de uma noite muito boa. A rua na qual recebi ligações engraçadas, boas, tristes, estranhas. O local onde o corpo de alguém que desistiu estava inerte. Tudo isso em duas avenidas e meia.
Mas o que importava na verdade era o porquê e estava lembrando daquilo. Por que eu queria pensar nisso tudo. Tudo eu estava livre. Ali, na avenida que liga as duas principais artérias de um distrito conhecido por ser "aquele onde fica a Unicamp, né?" eu sabia que eu podia ser quem eu quisesse ser. E quem estivesse no meu lugar seria o que quisesse ser de maneira pura, sem nenhuma hipocrisia. Ali, pode-se ser gay, negro, baixo, manco, tudo isso no feminino, tudo isso sem gênero, pode-se ser analfabeto, pode-se ser o dono do mundo. Ali, naquele momento você é e todo mundo concorda, aceita, admira e inveja. Ali, você é você e todos em volta pensam apenas em você. Pois mesmo sendo um pedaço de aço, poluente, com mais problemas que um ser humano de meia idade pode apresentar, a máquina ainda te leva para onde você quiser. Ela não te cobra, ela te aponta para onde ir e diz "vai!"
A minha tinha um nome. Muitos acham uma besteira imensa. Muitos acham que se trata de um sacrilégio. Uma ofensa muitas vezes. Eu achei que não tinha nada mais natural. O nome era de alguém que me ensinou algumas coisas. Não muitas, mas as mais importantes da vida, como o fato do ser humano continuar sendo um ser humano. Além disso, ela disse para aqueles que fizeram de mim muito que sou que era hora de deixar partir. Era o momento de deixar voar. Era o momento de aceitar que, como eles, eu também deixaria o ninho e conquistaria meu espaço.
Eu planejei isso. E como todo plano que faço, ele não acontece. Quando jovem, disse que nunca faria Unicamp. Quando na Unicamp, disse que nunca faria multimidia. Quando na Multimidia, disse que nunca conheceria o sul do país. Quando no sul do país, disse que nunca seria lider. Quando lider de equipe, disse que não teria carta de motorista. Quando aluno de auto-escola, disse que nunca teria uma moto. Antes de tudo isso, disse inúmeras vezes que não teria ninguém que me fizesse mudar só por conta dela. E para ela, cheguei a dizer que nunca irei para um determinado país. Além disso, disse a ela que nunca me livraria da moto. Amanhã, depois ou depois, a trocarei por um carro (parte dele).
Assim como a pessoa que batizou um pedaço de ferro, ela também se vai. Se vai dizendo "você vai ter que ser forte porque não viverá comigo para sempre. Aliás, isso está para acontecer". A pessoa não disse isso para mim. A máquina também não. Mas o coração que bate na garupa sabe do que eu estou falando.
Mas essa é mais uma escolha que eu tenho que fazer. "Um homem tem que fazer o que um homem tem que fazer". É chato o fato da sociedade que me insiro definir esse 'homem' como branco, heterossexual, classe média, independente mas seguidor da lei e da ordem (o famoso "rebelde na medida certa"). Em cima dela, você é essa pessoa. Vou perder por volta de 2 mil reais com essa mudança. Mas para você que está lendo isso eu digo que eu não me arrependo de nada. Pois se eu pudesse mudar o passado, se eu ainda não tivesse aprendido o que aprendi, e mesmo assim pudesse mudar algo, muito o faria. Mas mesmo assim, eu teria comprado a moto, eu teria desistido daquela outra universidade, eu teria roubado aquela chave, eu ido naquele bar, eu teria aceitado aquela função. A expressão pode ser de outra língua, mas o significado é humano: I regret nothing (só uma ou outra coisa).
Como sempre, o que começou como uma coisa completamente bem estruturada na minha mente virou algo anárquico e sem muito para onde ir. Apenas expressão, ideias e opiniões que queria sair para o papel (!) o quanto antes. E assim o fazem. E como as lembranças, o texto tem que parar também. As pessoas começam a desconfiar quando o mesmo cara passa pelo mesmo lugar pela enésima vez e sem nenhum motivo ou destino aparente. Não tem como tirar a razão. Além dos motivos socio-culturais, no fundo no fundo, liberdade de verdade dá muito medo. Tanto para quem tem quanto para quem vê. Mente quem diz que não. Ou liberdade de verdade não tem. Tem tudo planejado. Um certo personagem fictício bem o disse: "todos estão bem enquanto tudo está de acordo com o plano".
Mas o que mais significou nisso tudo agora que paro para pensar não foi tanto as ruas vazias que me autorizavam andar a velocidade proibitiva para aquelas vielas. Nem mesmo a sensação de alívio por todas as frustrações do dia. Frustrações essas que os pivôs nunca entenderiam mesmo que eu explicasse. "Você tá exagerando" dirão. Para ouvir isso, para que dizer? Não. O que fez mais sentido nisso tudo foi o exato meio. Quando avisei que faria o que faria e mesmo sabendo que ali batia afito um coração que ficaria preocupado, como L fazia, ela brilhou os olhos e, sabendo exatamente qual era a coisa certa a se fazer, disse "então voe".
Por fim, se é para ser repetitivo, eu digo: Eu não me arrependo.
Agora devo ir porque nada melhor que um grande prejuízo financeiro para voltar à realidade. Gira a chave, apaga o farol e tranca o portão. EFI off.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Porque estar apaixonado tem disso...


Porque estar apaixonado tem disso...

Muita coisa nesse mundo faz com que um ser humano se sinta para baixo. Tem muitos momentos que a única coisa que se quer é esconder num cubílo de 10m², ficar jogando video game infinitamente e não sair nem para ver o sol e o céu que cobrem sua cabeça muito antes daquele teto de cerâmica e concreto existir.
Você acha ruim com tudo: com a vida, com o trânsito, com a sociedade, com as pessoas que te cercam, com as pessoas que cercam as pessoas que te cercam, com o passado, com o passado do passado, com aquela pessoa que só tava ali olhando pra janela do terceiro andar com uma cara feia e simplesmente não te agradou desde o ínicio. Com tudo. Desistir do mundo e ficar pra sempre cuidando do seu próprio umbigo soa tão bom. Porque afinal, pra que se importar, não é? [Insira aqui os 100 primeiros motivos que lhe vem à cabeça para desistir da humanidade]
Mas ai, você, trancado em si mesmo, olha pro lado e vê um, e somente um, motivo para continuar. Mas que motivo, viu?! De repente, tudo faz todo o sentido. Você sente força de novo e resolve que vale a pena levantar.
Todo mundo briga, todo mundo acha ruim com tudo, ninguém está satisfeito com nada nem com ninguém; você briga, você acha ruim com tudo, você não está satisfeito com nada nem com ninguém. Quando uma voz que tá sempre ali se manisfesta outra vez e você lembra por que tá indo naquela direção.
De repente tudo volta a valer a pena. Uma pessoa faz isso acontecer, com poucas palavras. Ou nenhuma. Só olhando para você daquele jeito que sempre olha; só fazendo  aquele afago despreocupado e sem nenhum tipo de motivo; só repetindo aquilo que você já sabe, mas você se faz de desentendido só para ouvir de novo; só olhando, só olhando, só isso, já te faz querer algo novo na vida.
O porteiro não te dá bom dia, a tia do restaurante não agradece a gorjeta, o mano do estacionamento nem esboça reação no seu "tudo bem?" e você fica xingando internamente todo mundo. Até que você se senta na mesa, recebe uma mensagem dizendo "oi, tudo bem?" do jeito que só ela (se você que está lendo isso não curte "ela" muda para "ele" e esta resolvido) diz e a sensação é que você abraçaria o tio, o mano, a tia, o cachorro, o gato, tudo e a todos e com um grande sorriso no rosto.
Hoje é um bom dia. Quero que hoje seja todo dia.
Queria saber escrever melhor tudo o que eu sinto porque merece ser escrito e lido.
Alguém hoje mudou meu dia. Alguém hoje mudou minha vida. Alguém todo dia muda meu mundo. Esse alguém tá sempre ali comigo.
E é, hoje eu levantei meio "ok, dia! Vamos ai." e agora estou totalmente "BOOOOOOOM DIIIIAAAAA!!! =^.^= "
Tem dias que isso acontece. Ainda bem que foi hoje. Tomara que algumas vezes continue para sempre.

Eu não sei o dia de amanhã, mas tomara que a gente mude de sobrenome.

Parabéns para aagente antecipado. <3